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BARES E DISCOTECAS. E AGORA?  |

BARES E DISCOTECAS. E AGORA? |

As notícias não são as melhores para o setor noturno que a par do ramo hoteleiro, tem vivido momentos dificeis.

Antonio Costa parece não demonstrar um sentido de justiça ou uma preocupação equalitária na resolução dos problemas financeiros causados aos milhares de empresários da noite pela pandemia do coronavírus, em comparação com outros setores de atividade igualmente de risco para a propagação do vírus que agora começam a reabrir as portas.

O primeiro-ministro, aos microfones da TSF esta segunda-feira, admitiu que ainda não há uma data para a reativação da vida noturna.

“Ainda não está no nosso calendário. Temos de ir fazendo de uma forma gradual e começando pelos setores e atividades onde é mais fácil regular e estabelecer normas de afastamento. Atividades que, pela sua natureza vivem não do afastamento mas da proximidade e interação [como é o caso dos bares e discotecas], é evidente que estarão em último lugar das que poderão reabrir”, disse.

Questionado se este verão as discotecas e bares vão estar encerrados, António Costa respondeu que “se for necessário. Se não for, melhor. Se for, terá de ser. Não podemos pôr em causa o que conseguimos com enorme dificuldade. Só hoje que as famílias é que vão poder começar a visitar os familiares em lares”. “Estamos a viver momentos que são difíceis e não podemos pôr em causa o que conseguimos conquistar. Logo no início disse uma frase que tem sido o critério que nos tem regido: o máximo de contenção com o mínimo de perturbação. Tudo o que poder funcionar, ótimo, desde que não ponha em causa o que é fundamental: proteção da saúde pública”, acrescentou.

A Associação de Bares da Zona Histórica o Porto (ABZHP) já reagiu às declarações. António Fonseca, presidente da ABZHP, confessou ao PÚBLICO que as declarações do primeiro-ministro vêm “agravar a preocupação” do sector. “Se [os estabelecimentos] não abrirem este ano, o que se vai fazer às pessoas?”

Ciente de que as posições do Governo podem ir “evoluindo de um dia para o outro”, António Fonseca voltou a reforçar que os proprietários de estabelecimentos de animação nocturna querem “saber que são ouvidos”, tanto pelo executivo como pela Direcção-Geral de Saúde (DGS), ainda mais quando está em cima da mesa a possibilidade de não haver reabertura ainda durante o Verão.

A ABZHP (associação de bares da zona histórica do porto) está ciente das circunstâncias e garante que a prioridade é abertura dos espaços “com segurança” e, por isso, quer conversar para “procurar soluções” com o Governo e a DGS para possíveis apoios e sobre a preparação do sector para medidas de higiene e segurança que poderão ser tomadas. Mais do que pelas declarações desta segunda-feira, António Fonseca admite que os empresários estão preocupados por não haver diálogo”, apesar das várias tentativas já feitas.

O sector enviou na quinta-feira uma carta ao Governo com um pacote de medidas que poderiam salvar bares e discotecas. Os empresários pedem a isenção de todos os pagamentos à Segurança Social e Finanças (com excepção do IVA), a isenção da Taxa Social Única para os anos de 2020 e 2021 e um apoio a “fundo perdido da verba correspondente aos salários dos postos efectivos durante o período mínimo de nove meses, desde que os postos de trabalho à data do encerramento se mantenham”, entre outras medidas.

Já a Associação de Discotecas do Sul e Algarve (ADSA) não vê que o cenário de bares e discotecas encerrados durante o Verão “possa ter alguma viabilidade”, admitindo-o apenas no caso de o Governo assumir “as despesas e prejuízos” associadas a uma decisão dessas.

“Se toda a actividade económica está gradualmente a abrir, nós não somos filhos pródigos, acho que os bares e discotecas terão de funcionar também”, disse ao PÚBLICO o presidente da ADSA. Liberto Mealha espera que, pelo menos durante o mês de Junho, haja “luz verde” para o sector, para que os estabelecimentos possam tentar “tirar algum proveito do Verão”, sempre com total respeito pelas medidas que eventualmente sejam exigidas.

A ADSA reconhece que as discotecas estavam “preparadas para abrir mais tarde”, mas não para ficarem encerradas durante aqueles que acabam por ser “os meses mais fortes”. “É um sector que não pode ficar marginalizado.”

Apesar da compreensível preocupação do governo, é importante salientar que a noite tem um mercado de trabalho como outro qualquer, onde se dá emprego a muitas pessoas e gera indiretamente muitos outros postos de trabalho em empresas que sobrevivem com este setor e por isso, deve de forma justa ser alvo de atenção por parte dos responsáveis do governo.

Admin

19 Mai 2020

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