Está lá? É do inimigo?

Está lá? É do inimigo?

Olá no geral, a ti em particular!
Hoje vou vos contar a história da minha primeira ida a uma discoteca para as pessoas dançarem.
Eu trabalhava num hospital veterinário e como tinha dor de cabeça decidi tomar um tranquilizante de cavalo, que era o único que havia de momento.
Como estava frio decidi meter um pouco no microondas para aquecer. Como sou um pouco distraído, aquilo ficou lá tempo demais e cristalizou.
Um pouco amargo no fim, mas com água vai bem!
Não sei se terá feito má reacção com o pau de cabinda que comi ao almoço, mas apeteceu-me fazer o amor com toda a gente, inclusive com a minha patroa, que não viu piada nenhuma em eu andar nu e assim me despediu.

Cheguei a casa e sentei-me numa cadeira que nós lá temos para quem é despedido por tomar drogas ilícitas em horário de trabalho. Estava a baloiçar quando entra o meu tio Gustavo com o jornal que mostrava um anúncio de Dj: “precisa-se Dj para uma discoteca para pessoas dançarem.”
A minha tia diz: “Abílio, porque não respondes a esse anúncio?” ao qual a minha mãe prontamente respondeu: “para isso era preciso ele ter música!”. A minha tia contra atacou: “eles lá na discoteca devem ter música para pessoas dançarem”, ao qual a minha mãe finalizou: “mas o meu filho lá toca músicas dos outros?”

Fomos então a casa do meu primo André que tem 7 anos, que nos disse que a música para dançar que estava em “altas” era a música do Toy. Sacou a música do Youtube, converteu de mp3 128k para .flac e meteu numa pen que levei.
Só toco música hifi.

Fomos para casa, comi uma sandes de marmelada com um traçadinho de leite com groselha, chamei um táxi e fui para a discoteca para as pessoas dançarem.

Cheguei à discoteca para as pessoas dançarem eram 11 da noite e estava fechada. Estava um senhor à porta a vender selos do correio com uns símbolos estranhos, ao qual eu perguntei se era ali que era a discoteca para as pessoas dançarem. Ele que respondeu que ali era a discoteca do calcitrin, e que a discoteca para pessoas dançarem era um pouco mais acima. Como a crónica das festas dos anos 80 foi na publicação passada, pus-me a caminho!

Cheguei à porta da discoteca para as pessoas dançarem era quase meia noite. O porteiro mal me viu com a pen numa mão e com os phones do telemóvel na outra perguntou logo:
-”você vem responder ao anúncio de Dj, não é?”. Respondi que sim e ele perguntou: “e metes música para as pessoas dançarem?”. Respondi que era mais ou menos, pois era a minha primeira vez numa discoteca para as pessoas dançarem, porém já tinha tocado ferrinhos numa festa de natal da escola. Mas que com treino e humildade eu ia lá, o importante é não arranjar confusões com ninguém!

Levou-me então ao dono da discoteca para as pessoas dançarem. O senhor Evaristo mal me viu perguntou se eu só tinha aquela pen ao qual respondi:
-”Sim só trouxe esta pen, mas tenho lá a música que faz as pessoas dançarem! Não trouxe mais nada porque pensei que vocês tivessem aqui todas as músicas que fazem as pessoas dançarem.”
O senhor Evaristo fez uma pausa e perguntou: “como é que você que fazer as pessoas dançarem só com uma música?”
Respondi com toda a humildade, que se as pessoas dançarem da primeira vez é porque gostam da música, logo é só voltar a fazer play quando a música chegar ao fim que as pessoas dançam.
Ninguém deixa de gostar de uma música de um momento para o outro.
Para a festa na discoteca para as pessoas dançarem não ficar sem som de 4 em 4 minutos o senhor disse-me então para que de cada vez que a música chegasse ao fim eu dissesse “meké? Quero ver essas mãos no ar!”. Disse-me que tinha visto um dj fazer isto no maior sunset de sempre e que pelos vistos resulta quando se quer matar tempo…

O Senhor das luzes ouviu a conversa e intercedeu, dizendo que tinha ali a pen da mulher, que era instrutora de Zumba e que se eu quisesse podia alternar a música do Toy com aquelas 6 músicas.

Lá comecei a “tocar” mas aquilo não estava a funcionar muito bem pelo que o senhor Evaristo disse que podia ser da música do toy já ter tocado 20 vezes, 10 delas com flanger, mas sabem como são as pessoas quando estão para embirrar.

O senhor Evaristo mandou-me vestir de espia e disse-me então para ir à pista roubar a playlist de um grupo de meninas roliças que estava na pista.
Lá me deu uns calções de ganga cujas bochechas do rabo ficavam de fora e um top branco com uns folhos. A roupa era nitidamente 3 tamanhos abaixo do que eu visto, mas uma pessoa nunca sabe o tamanho de quem aparece para responder a 1 anúncio de Dj.

Lá fui eu ter com elas. Toquei no ombro de uma que estava rodeada de machos alpha, e ela perguntou logo quem eu era. Eu respondi: “Sou a dj merche kalashnikov e venho aqui roubar a vossa playlist”. Que malandrice, pensei eu!
Ela perguntou se eu era dj à muito tempo, ao qual eu respondi que era desde a meia noite. Ela então disse: “não levas playlist nenhuma, não levas playlist nenhuma, não levas playlist nenhuma,”.

Não achei graça nenhuma aquilo e fui fazer queixa à fêmea alpha do grupo. Lá encontrei a gorda que leva o carro e contei-lhe o que se passou. Ela muito simpática disse para eu não ligar, porque ela desde que anda a postar fotos no Insta toda nua, que acha que os likes que tem são de pessoas que querem ter um relacionamento sério com ela, e que isso lhe andava a afectar o ego.
Dividimos uma barrita energética e voltei à cabine onde o senhor Evaristo tinha assumido o controlo da mesa de mistura.
Ele estava muito concentrado mas mesmo assim contei-lhe o que se tinha passado ao ouvido.
O senhor Evaristo enganou-se muitas vezes, mas penso que tenha sido pressão por eu ali estar ao lado.

Nisto vem um barman a correr e diz-me que tinha visto uma pessoa a dançar. O senhor Evaristo indagou porque é que o barman não trouxe a pessoa que estava a dançar para o meio da pista, ao qual o barman respondeu: “sabe senhor Evaristo, isto das festas para pessoas dançarem é difícil de puxar alguém para o meio da pista. A gente puxa puxa mas elas não vêm. Feitios não é?”
Foi então que o senhor Evaristo me disse que já que elas não davam a playlist do spotify para eu ir lá dizer que elas podem “fazer os discos pedidos”.

Como eu me tinha dado muito bem com a fêmea alpha, nós passávamos um disco pedido intervalado com a música do toy. A festa lá foi andando.

Estava eu no meu terceiro sumo de kefir quando o senhor Evaristo me diz para eu parar imediatamente com a música para as pessoas dançarem, pois estava lá um senhor da pass música, e ele não tinha licença de dj.
Perguntei:
-”senhor Evaristo, pergunte lá ao inspector se ao menos dá para ligar o telemóvel à mesa, é que uma delas disse que fazia anos hoje!”

Raúl Solnado – A guerra de Solnado (Soldado Abílio bootleg)

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