Entrevista Droppler

Droppler é uma dupla formada por José Carvalho e Tiago Macieira, padrinho e afilhado do mesmo curso.
Partilhando a paixão pela música electrónica, decidiram unir forças e criar um projeto.
Com as suas músicas originais a figurar em cinco editoras internacionais até ao momento (incluindo uma colaboração com Menasso) e por duas vezes Novos Talentos da Electrónica (Nova Era DJ), têm apresentado sets criativos e cativantes, que lhes permitiram, por exemplo, apresentar-se no Arraial do Instituto Superior Técnico.
Têm também vindo a apostar em mashups e livestreams como forma de cativar um público cada vez mais apaixonado pelo seu trabalho único.

O QUE VOS LEVOU A QUERER SEGUIR ESTA CARREIRA?

José Carvalho:

Nunca tive facilidade em expressar-me verbalmente e acho que quando descobri a música eletrónica, encontrei uma forma de o conseguir fazer sem restrições nem receios. Também era excelente poder chegar a casa da escola e descobrir/criar coisas novas e sobretudo ter um espaço para errar à vontade.
Para além disso, há sempre a esperança de “explodir” com uma faixa nova e a vida mudar completamente.
Criar música que gosto é uma ótima terapia e fazer carreira do bem estar é algo com que todos sonhamos.

Tiago Macieira:

Sempre foi um sonho meu fazer as pessoas dançar, para além da paixão pela música, sempre quis trazer uma contribuição para este domínio.
Pegar em músicas completamente diferentes e fazê-las falar uma para a outra é algo que me fascina.

QUE BALANÇO FAZEM DESTE PROJETO ATÉ AO MOMENTO?

José Carvalho:

Temos lançado boa música, originais e remisturas, com um alcance palpável, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.
Não poderei dar um balanço inteiramente positivo, uma vez que ainda não “andamos na boca das pessoas”, mas acredito que estamos no caminho certo e que, continuando assim, mais oportunidades vão começar a surgir.

Tiago Macieira:

Este projeto começou há cerca de ano e meio e, desde essa altura, conseguimos evoluir mais do que tínhamos conseguido alguma vez sozinhos.
Lançámos singles em editoras internacionais e construímos laços diferentes. Conseguimos alguns apoios e opiniões que nos ajudaram a evoluir como artistas.
Fizemos erros e caímos, mas voltámos a levantar-nos mais fortes. Vamos continuar a trabalhar para melhorar ainda mais o conteúdo que apresentamos.

O QUE TORNA OS DROPPLER DIFERENTES?

José Carvalho:
Temos a capacidade de fazer coisas muito criativas nos decks e na produção e desenvolver essas ideias até maximizar a sua qualidade.
Somos também muito perfeccionistas. Para além disso, não nos fixamos em apenas um género de música ou um estilo de produção.
Fazemos “o que nos vai na gana”, e, não tendo uma caraterística específica que nos defina, acabamos por ter mais liberdade artística e as ideias surgem com maior facilidade.Tiago Macieira:
O que nos torna diferentes é a nossa versatilidade de géneros de mistura e produção, assim como a boa execução destas duas atividades.
A produção é muito importante, mas a viagem construída nos sets é feita através da mistura. Esta união de forças e a nossa compatibilidade acaba por nos tornar uma dupla dinâmica e muito funcional. Tentamos ser diferentes e fazer coisas novas.

“Para melhorar a “dance scene” é preciso quebrar dogmas que eletrónica é só “bum bum bum” ou que é só para drogados ou afins, começando por tentar abrir os horizontes musicais das pessoas mais próximas de nós.“

QUE ESPERAR NO FUTURO DOS DROPPLER?

José Carvalho:

Vamos continuar a lançar temas e sets, cada um melhor que o anterior.
Estamos também a pensar no nosso “branding” e, num futuro mais distante, assentar num estilo específico de produção.
Mas para já, é tempo de fazer experiências. Contudo, como ambos estudamos num curso exigente, não será (e não tem sido) um percurso fácil.
Esperamos também crescer no mercado da noite e “offline”.

Tiago Macieira:

Para o futuro vamos continuar a produzir e misturar, mantendo-nos sempre atualizados com as tendências atuais da música.
Vamos continuar a trazer performances da forma que temos conseguido, através de livestreams, e tentar conseguir mais performances presenciais.
Mas o mais importante é que nunca vamos desistir.

QUAL É A VOSSA OPINIÃO SOBRE OS PRODUTORES E DJs PORTUGUESES NESTE MOMENTO, E QUE FARIAM PARA MELHORAR A NOSSA “DANCE SCENE”?

José Carvalho:

Há boas iniciativas para construir alguma união entre produtores mas praticamente não há trocas de ideias ou técnicas de produção,
talvez por ser uma comunidade online, o que acaba por não ser muito eficaz.
Em termos de DJs, acho que há dois tipos: os que têm datas e os que não têm. Há quem diga que os que têm datas não ajudam os que não têm, e que quem não tem datas, critica os que têm e é por isso que não se anda para a frente. Não concordo. O problema reside no público, que procura sempre os mesmos DJs e os mesmos estilos de música sempre que sai à noite. O problema está na procura e não na oferta.
Para melhorar a “dance scene” é preciso quebrar dogmas que eletrónica é só “bum bum bum” ou que é só para drogados ou afins, começando por tentar abrir os horizontes musicais das pessoas mais próximas de nós.

Tiago Macieira:

Neste momento há muitos novos artistas portugueses, alguns dos quais são muito talentosos. Cada vez mais se vê uma dedicação maior por parte destes, mas por vezes as condições com que se deparam não são as melhores. Acaba por não haver tanto apoio, mesmo na comunidade de DJs. Atualmente continua-se a dar muita prioridade à música comercial, não dando tanto à eletrónica, sendo assim impeditivo para quem quer evoluir. Falo por nós também.
Já há alguns eventos que promovem estes géneros, e páginas que ajudam a promover estes artistas, mas acaba por não ser suficiente.

NA VOSSA OPINIÃO, QUEM SÃO NESTE MOMENTO OS NOVOS PRODUTORES A OBSERVAR EM PORTUGAL?

José Carvalho:

Há imenso talento por aí. Vou dizer alguns nomes, mas não quer dizer que não haja outros: Regon ,Zesko ,Strybo ,HorizØn ,Messer , Slamtype e os Noise Kingdom. São estes alguns dos nomes que merecem destaque e que têm potencial para fazer coisas incríveis no futuro.

Tiago Macieira:

Na minha opinião, dos produtores que conheço destaco o Regon, Pete Kingsman, Ben Ambergen, Noise Kingdom e VillanZ.
São muitos mais os artistas a observar, mas estes têm evoluído devido ao seu bom trabalho e dedicação. Pode não haver muito apoio entre a comunidade de DJs nacionais, mas nós estamos sempre prontos a ajudar e apoiar quem merece.

QUAL É O VOSSO CONSELHO PARA QUEM ESTÁ AGORA A COMEÇAR?

José Carvalho:

Há três coisas cruciais a fazer: Primeiro, ouvir muita música de qualquer género, porque é importante perceber as estruturas de cada um e captar ideias daquilo que gostam ou não. Isto é importante quer para a produção quer para a mistura. Segundo, ver muitos tutoriais de produção no Youtube ou ler artigos em fóruns.
Isto também é válido para mistura, mas talvez menos importante. Terceiro, experimentar: seja a composição de melodias,
sound design, mixing, mastering, etc, só se fica bom nisso “sujando as mãos”. É preciso experimentar, é preciso errar, é preciso aprender coisas novas sozinho e sobretudo, é precisa muita paciência!

Tiago Macieira:

Para quem está a comecar a melhor coisa que eu posso dizer é: produzam, produzam e produzam. É uma ferramenta vital para ser reconhecido e para mais tarde usarem outras ferramentas ao vivo: as de DJ. Não desprezem a mistura. Há artistas que o fazem e que me deixam sem vontade de continuar a ouvir o set.
Uma aliança entre mistura e produção é a solução ideal. Procurem também ajuda e apoio de outros. Todos juntos conseguimos crescer e evoluir.

Entrevista por SERGIO LEMOS [ colaborador Club Dj Portugal ].

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